Nossa mãe!!! Estava mexendo em umas velharias ontem a noite e encontrei cada “tesouro” que não fazem idéia! O primeiro, e talvez mais importante, foi um caderninho lindamente decorado, com adesivos de florzinhas, corações, escrito com canetas coloridas, e com algumas preciosidades que não se pode imaginar. Na capa desse caderno estavam escritos os dizeres: Pensamentos, Poesias e Músicas. È de se imaginar qual era o conteúdo do mesmo né!?!?! Comecei a ler cada verso que nele continha... Puxa vida!!! Fiquei impressionada com tamanha cultura. Pensamentos de Roberto Shinashiki, John Lennon, Bob Marley, Dalai Lama, inúmeros sem identificação e outros muito inteligentes e nada óbvios criados por mim e pelas minhas amigas da época. Até que alguns fariam sentido hoje, como por exemplo: “Melhor ficar quieto e deixar que os outros pensem que você é idiota do que falar e acabar com a dúvida!”. Mas o terrorismo mesmo começava quando eu decidia escrever poemas (imaginem eu escrevendo poesia), como eram lindos aqueles versos em que eu rimava paixão com feijão e achava que estava arrasando, guardava, mostrava para as coleguinhas no outro dia, elas amavam, e eu transcrevia com todo zelo no meu caderno, ainda tomava o cuidado de assinar de uma maneira muito original (F³, devido a aliteração que tenho no nome) com a finalidade de eternizar aquele momento de grande inspiração. Depois de alguns minutos extasiada relembrando meus momentos de filosofia adolescente, encontrei um álbum com um conteúdo pré-histórico, era minha coleção de Papel de Carta. Tá certo, estava meio mofado, com cheiro de barata, mas continuam fofos, com muitas borboletinhas, Ursinhos Carinhosos, Moranguinhos, e pasmem, alguns ainda não estão amarelados, em plena condição de admiração (vou guardar pra minha filha). Pulando a parte da escrita e da arte visual, vamos partir para a literatura. Encontrei um livrinho intitulado O diário (nem sempre secreto) de Pedro. Deu até vontade de reler, mas como o li pelo menos umas cinco vezes no curto espaço de um ano, e diante da ma memória que possuo, pensei que seria melhor deixá-lo para outra hora e ler Os Sertões que é mais necessário nesse momento. Quando pensei que já bastava de recordações por um dia (digo uma noite) encontrei meus diários. Jogue a primeira pedra a menina que nunca teve diário (ou agenda como eu chamava na adolescência) e usou-o como o melhor amigo para desabafos juvenis! Abri aleatoriamente e vi que espinhas no nariz eram problemas de enorme gravidade a ponto de quase me fazer desistir de ir a festinhas vespertinas na casa das colegas. Percebi também que naquele tempo eu tinha complexo com o tamanho de meus glúteos, mas que tudo acabou quando o Gera Samba fez sucesso com suas dançarinas popozudas e eu comecei a fazer um enorme sucesso na escola. Outra coisa que muito me impressionou foi ver a quantia de lágrimas que derramei... Meu Deus como eu chorava! (se é possível acreditar, chorava muito mais do que hoje). Penso ter enchido umas 30 piscinas olímpicas com o que chorei dos meus 13 aos 16 anos (esse foi o último ano que tive diário). Passados as crises, as inconstâncias sentimentais, a narração minuciosa dos momentos em que me tatuei e em que conheci meu atual namorido, encontrei uma prova descarada de intromissão, os Questionários. Quão invasivas e inúteis eram aquelas seqüências ridículas de perguntas do tipo: Qual sua cor favorita? Se você fosse um animal, qual você gostaria de ser? Você já ficou com alguém? Quem? Quanto? Se você fosse para uma ilha deserta quem você levaria? E o pior era a parte: Deixe um recado para a dona desse questionário. (infame) Encontrei muita falsidade ao lê-los e alguns bem originais, mas o que mais chamou minha atenção foi um escrito em caneta rosa que dizia: Fran, você é tão linda que parece a Branca de Neve! (não entendi, mas achei original). Confesso que apesar de idiota, eu sempre queria ser uma das últimas a assinar os questionários para ler o que meus colegas tinham escrito, só para nível de informação mesmo. Adorava quando na parte sentimental algum menino dizia que gostava de mim, ou quando falavam que eu era a mais legal da sala. Bem pode parecer bobagem mas, essas coisas fizeram parte da minha vida, e me marcaram de uma certa forma. Procurei um pensamento, ou uma música bem legal pra encerrar esse post enoooooorme, mas como não sou mais tão fã de Jota Quest como era na época pensei em colocar algo que combina comigo em todos os momentos, meu ídolo Renato Russo e uma das músicas que eu escuto e me arrepio até hoje!!!
Vento no Litoral
De tarde eu quero descansar, chegar ate a praia e ver
Se o vento ainda está forte
E vai ser bom subir nas pedras
Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora
Agora está tão longe
Vê, a linha do horizonte me distrai:
Dos nossos planos é que tenho mais saudade,
Quando olhávamos juntos na mesma direção
Aonde está você agora
Além de aqui dentro de mim?
Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você está comigo o tempo todo
E quando eu vejo o mar,
Existe algo que diz,
Que a vida continua
E se entregar é uma bobagem
Já que você não está aqui,
O que posso fazer é cuidar de mim
Quero ser feliz ao menos
Lembra que o plano era ficarmos bem?
Ei, olha só o que eu achei: cavalos-marinhos
Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora
*ALOHA*
=].